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Fonte: http://www.orthodoxinfo.com/general/orthodoxy.aspx
Traduzido por José Lauro Strapasson
A Igreja Ortodoxa foi fundada por nosso Senhor Jesus Cristo e é a manifestação viva de Sua presença na história da humanidade. Dentre as características mais importantes da Ortodoxia, podemos destacar sua rica vida litúrgica e a plenitude de sua tradição apostólica. Os Cristãos Ortodoxos crêem que, em comparação a outras denominações cristãs que se separaram da tradição comum da Igreja dos primeiros 10 séculos, sua Igreja preserva plenamente a tradição e continuidade da Igreja primitiva. Hoje a Igreja Ortodoxa tem aproximadamente 300 milhões de membros que seguem a fé e as práticas definidas pelos primeiros sete concílios ecumênicos. A palavra ortodoxa (“fé correta e adoração correta”) é tradicionalmente utilizada no mundo de fala grega para designar comunidades ou indivíduos que preservaram a verdadeira fé conforme definida pelos concílios, em oposição àqueles que foram declarados heréticos. A designação oficial da igreja em seus textos litúrgicos e canônicos é “a Igreja Católica Ortodoxa” (gr. Cathólicos = universal).

A Igreja Ortodoxa é uma família de igrejas “autocéfalas” (auto governadas), na qual o Patriarca Ecumênico (=universal) de Constantinopla mantém o título, ou primazia honorária, como primus inter pares (o primeiro entre iguais). A Igreja Ortodoxa não é uma organização centralizada chefiada por um pontífice. Pelo contrário, unidade da Igreja manifesta-se no compartilhamento da mesma fé e na comunhão dos sacramentos, e ninguém, exceto o próprio Cristo, é a real cabeça da Igreja. O número de Igrejas autocéfalas variou na História. Hoje existem: a Igreja de Constantinopla (Istambul), a Igreja de Alexandria (Egito), a Igreja de Antioquia (sediada em Damasco, Síria), e as Igrejas de Jerusalém, Rússia, Sérvia, Romênia, Bulgária, Geórgia, Chipre, Grécia, Polônia, Albânia e EUA.
Existem também igrejas “autônomas” (que mantém uma certa dependência de uma Igreja-mãe) nas terras Tcheco-eslovacas, Sinai, Creta, Finlândia, Japão e Ucrânia. Além disso, há também uma grande Diáspora Ortodoxa espalhada pelo mundo todo, admistrativamente dividida entre diversas jurisdições, e dependentes das igrejas autocéfalas mencionadas acima. As primeiras nove igrejas são lideradas por patriarcas, as outras por arcebispos ou metropolitas. Estes títulos são somente honoríficos, pois todos os bispos compartilham do mesmo poder que lhes é dado pelo Espírito Santo.
A ordem de precedência em que as igrejas autocéfalas são listadas não reflete sua real influencia ou importância numérica. Os Patriarcados de Constantinopla, Alexandria e Antioquia, por exemplo, retém apenas vestígios de sua glória passada. Ainda existe um consenso que a primazia de honra de Constantinopla - reconhecida pelos antigos cânones por ser a capital do Império Bizantino - deve permanecer como um símbolo e instrumento de unidade e cooperação da Igreja, manisfestada nas diversas conferências pan-Ortodoxas convocadas pelo Patriarca Ecumênico na época atual. Diversas igrejas autocéfalas são de fato igrejas nacionais, sendo de longe a maior a Igreja Russa; entretanto, não é a nacionalidade, mas sim o princípio territorial, o principal critério de organização na Igreja Ortodoxa.

Num sentido teológico mais amplo, “Ortodoxia” não é apenas um tipo de organização puramente terrena guiada por patriarcas, bispos e padres que mantém o ministério na Igreja oficialmente conhecida como “Ortodoxa”. A Ortodoxia é o “Corpo Místico de Cristo”, cuja cabeça é o próprio Cristo (veja Ef 1,22-23 e Col 1:18,24 e seq), composto não somente de clérigos, mas de todos aqueles que verdadeiramente acreditam em Cristo e que, através do Santo Batismo, tornaram-se membros legítimos da Igreja que Ele fundou, e inclui tanto aqueles que vivem na terra como aqueles que morreram na Fé e piedade.
O Grande Cisma entre a Igreja do Oriente e a do Ocidente (1054) foi a culminação de um processo gradual de alienação entre o oriente e o ocidente que começou nos primeiros séculos da Era Cristã e continuou através da Idade Média. Diferenças culturais e lingüísticas, como também eventos políticos, contribuíram para esta alienação. Do século IV ao século XI, Constantinopla, o centro da cristandade oriental, foi também a capital do Império Romano Oriental, ou Bizantino, enquanto Roma, depois das invasões bárbaras, caiu sob a influencia de um rival político, o Santo Império Romano do Ocidento. No ocidente a teologia, sob influencia de Santo Agostinho de Hipona (354-430), gradualmente perdeu seu contato imediato com a rica tradição teológica do oriente cristão. Ao mesmo tempo a Sé Romana foi quase completamente tomada pelos Francos. Provavelmente as diferenças teológicas poderiam ser superadas se não houvesse dois conceitos diferentes de autoridade da igreja: o crescimento da primazia Romana, baseada no conceito de origem apostólica da Igreja de Roma, que clamou autoridade não apenas nominal mas também jurisdicional sobre outras igrejas, era incompatível com a eclesiologia tradicional ortodoxa. Os cristãos orientais consideraram todas as igrejas como igrejas irmãs e entenderam a primazia do bispo romano apenas como um primus inter pares entre seus irmãos bispos. Para o oriente, a maior autoridade em resolver disputas doutrinais não poderia ser de modo algum a autoridade de uma única Igreja ou de um único bispo, mas sim um concílio ecumênico de todas as igrejas irmãs. Com o passar do tempo a Igreja de Roma adotou vários ensinamentos errôneos que não eram fundamentados na Tradição, proclamou finalmente o ensinamento da infalibilidade do Papa quando se pronunciasse "ex cathedra". Isso aumentou mais ainda a diferença entre o Oriente e o Ocidente Cristão. As comunidades Protestantes oriundas de Roma no decurso dos séculos divergem ainda mais dos ensinamentos dos Santos Padres e dos Santos Concílios Ecumênicos. Devido a essas sérias diferenças dogmáticas a Igreja Ortodoxa não está em comunhão com as comunidades católica-romana e Protestantes. Teólogos Ortodoxos mais tradicionais não reconhecem o caráter eclesial e salvífico destas igrejas ocidentais, enquanto os mais liberais aceitam que o Espírito Santo age até um certo grau dentro dessas comunidades, apesar de não possuírem a plenitude da graça e dos dons espirituais como a Igreja Ortodoxa. Muitos teólogos ortodoxos sérios são da opinião que entre a Ortodoxia e demais confissões heterodoxas, particularmente no âmbito da experiência espiritual, da compreensão de Deus e da salvação, existe uma diferença ontológica que não pode ser simplesmente atribuído à estranhezas culturais e intelectuais do Oriente e do Ocidente, mas é uma conseqüência direta do abandono gradual da sagrada tradição pelos Cristãos heterodoxos.
Pelo
época do cisma de 1054 entre Roma e Constantinopla, a Ortodoxia abrangia
o Oriente Médio, os Bálcãs e a Rússia, e tinha seu centro em
Constantinopla, a capital do Império Bizantino, que era também chamada
de Nova Roma. As vicissitudes da história tiveram grande impacto ao
modificar as estruturas internas da Igreja Ortodoxa mas, mesmo nos dias
atuais, a maior parte de seus fiéis vive nas mesmas áreas geográficas. A
expansão missionária para a Ásia e a emigração para o ocidente,
entretanto, ajudaram a manter a importância da Ortodoxia mundialmente.
Hoje, a Igreja Ortodoxa está presente em praticamente todas as partes do
mundo, trazendo testemunho da verdadeira tradição apostólica e
patristica para todos os povos.
A Igreja Ortodoxa é bem conhecida pelo seu desenvolvido monaquismo.
Pode-se traçar a ininterrupta tradição monástica do Cristianismo
Ortodoxo aos mosteiros do deserto egípcio dos séculos III e IV. Dalí o
monasticismo se disseminou para todo o Mediterrâneo e Europa: na
Palestina, Síria, Capadócia, Gália, Irlanda, Itália, Grécia e países
eslavos. O monasticismo foi sempre uma baliza da Ortodoxia e manteve - e
continua a manter - uma influência forte e decisivo na espiritualidade
ortodoxa.
A Igreja Ortodoxa hoje guarda o valiosíssimo tesouro de uma rica
tradição litúrgica transmitida desde os primeiros séculos da
Cristandade.
O senso de sagrado, a beleza e grandeza da Divina Liturgia Ortodoxa
intensificam e tornam mais vívida a presença do céu na terra. A arte e a
música da Igreja Ortodoxa têm uma regra bastante funcional na vida
litúrgica, e nos auxiliam a sentirmos a grandeza dos mistérios do Senhor
com todos os nossos sentidos. Os ícones ortodoxos não são apenas
trabalhos maravilhosos de arte com função estética ou didática - eles
são, acima de tudo, os meios pelos quais nós experimentamos a realidade
do Reino Celestial na terra. Os santos ícones transmitem a imensurável
profundidade do mistério da Encarnação de Cristo, pela qual milhares de
mártires sacrificaram suas vidas.