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Corrigido e Revisado Por Tchaikowsky Pedrassa
(Fonte: A Igreja Ortodoxa no Mundo - Editora Aurora)

Realmente quando se entra numa Igreja Ortodoxa, quase não se enxergará o
Altar onde se celebram os Ritos.
O que chama logo a atenção é a separação marcante que existe entre a
nave da igreja, lugar dos fiéis e o Santuário.
A parede divisória que separa o Santuário da nave da igreja é chamada de
Iconostase pois está coberta de ícones. Possui
três aberturas com portas para a passagem dos celebrantes e dos
ministros. O ícone da Santa Ceia, ou da cena de Emaús,
é posto bem no meio da Iconostase no alto da abertura central. No lado
direito e no lado esquerdo da abertura central dominam os ícones do
Salvador e da mãe de Deus, respectivamente. Outros ícones de apóstolos,
doutores, mártires e titulares da igreja, revestem os lados e o alto da
Iconostase.
PORTAS
Como eu disse antes, existem 3 aberturas com portas. Vamos conhece-las
agora.
Portas Santas: A abertura central da Iconostase, mais
larga, possui uma porta de duas folhas, daí o nome de Portas Santas.
elas chegam até meia altura. Por detrás delas corre uma cortina. Nas
Portas Santas estão representadas as cenas da Anunciação e os 4
Evangelistas, isto porque as portas centrias simbolizam a boa nova, o
início da obra redentora de Cristo e o seu ensinamento, que introduz o
fiel nos segredos de Deus. Pelas Portas Santas passam somente os
celebrantes revestidos de seus paramentos durante os atos litúrgicos.
Os ajudantes e demais ministros utilizam as portas laterais. As Portas
Santas ficam abertas durante quase toda a Liturgia. é só nesse momento
que o fiel pode enxergar o Altar e o celebrante.
Porta Norte e Porta Sul: As duas aberturas laterais da
Iconostase, com as respectivas portas, recebem o nome de Porta Norte e
Porta Sul, isto porque a Tradição dos tempos primitivos exigia que a
igreja fosse construída de forma que o Santuário ficasse voltado para o
Oriente, de onde veio a salvação, enquanto que o Norte e o Sul lhes
ficariam respectivamente a esquerda e a direita.
Por estas portas passam os ajudantes e demais ministros. Simbolizam as
portas do paraíso terrestre, fechadas após o pecado do primeiro homem e
guardadas por um anjo. Os ícones de Arcanjos ou de Santos Diáconos
(adidos ao ministério do "serviço") aparecem pintados nas portas Norte e
Sul
O
Santuário é o espaço mais sagrado da igreja, onde ficam o altar e os
celebrantes. é o Sancta Sanctorum (o
Santo dos Santos), o lugar inacessível aos fiéis. O nível do
santuário é um pouco mais elevado dor esto da nave, por meio de alguns
degraus. Só os membros do clero podem entrar no Santuário. Dentro do
Santuário temos:
O Altar - O Altar Mor (do sacrifício) situa-se no meio
do Santuário, tem sua mesa quadrada e pode ser tanto de madeira como de
pedra. É recoberto de uma dúplice toalha e o seu simbolismo nos faz
lembrar mesmo de Cristo. O Altar é visível aos olhos dos fiéis durante
quase toda a Divina Liturgia. Mas nos momento em que se fecha as Portas
Santas e as cortinas ele fica oculto.
Prótese - A esquerda de quem olha o altar, está a
Prétese, pequeno Altar (da Preposição) destinado a
preparação das oblatas durante o rito da proscomídia, e a consumação das
Espécies eucarísticas, depois da Liturgia.
Diacónicon - A direita de quem olha o altar mor, fica o
Diacónicon, lugar reservado para a
paramentação dos Ministros (Igual a Sacristia).
Trono e Assentos - No fundo da ábside central está, em
lugar um pouco elevado, o Trono episcopal (ano-cáthedra) e dum
lado e do outro do trono, no nível do chão, estão os assentos para o
clero concelebrante.
Artofórion
É o sacrário onde se conserva o S.S. Sacramento exclusivamente para a
comunhão dos enfermos e para a comunhão dos fiéis dentro da celebração
da "Liturgia dos Pré-Santificados". O artofórion
tem sempre forma de urna ou de arca; por vezes tem forma de uma pomba,
suspensa sobre o Altar por meio de uma corrente.
Antiménsion e Iletón
O Iletón é um retângulo de seda vermelha que
corresponde ao Corporal do Rito Romano. Em cima do Ileton
se coloca o Antiménsion que é
também um pano de seda ou linho das mesmas proporções do
Iletón. O Antiménsion tem
estampada em toda a sua superfície a cena da Descida da Cruz ou a
Deposição do túmulo. aparecem também outras figuras de Profetas,
Evangelistas, Apóstolos, etc. A Mãe de Deus está sempre presente na cena
da Descida da Cruz ou da Deposição.
Evangeliário
é o livro dos Evangelhos para uso litúrgico, em geral de confecção nobre
e artística. Fica dia e noite sobre o Altar em cima do
Antiménsion e do Iletón
dobrados.
Cruz para bênçãos
Costuma permanecer sempre sobre o altar, deitada, ao lado do
Evangeliário. Em geral é de metal precioso, mas pode ser também de
madeira. a haste vertical possui um cabo para segurar a cruz na mão. É
usada na Liturgia e em outros ofícios divinos para abençoar o povo.
Ripídia
São dois leques ou flabelos de cabo comprido e que levam pintada a
cabeça de um Serafim de seis asas. Durante a Oração Eucarística o
Diácono agita lentamente o ripidion sobre as oblatas
consagradas, querendo com isso significar o bater das asas das legiões
angélicas que "concelebram" com o Sacerdote, e a ação do Espírito Santo.
Crucifixo
Sustentado por um pedestal está uma grande Cruz com a imagem pintada do
Crucificado. Os Russos acrescentam sempre o ícone da Mãe de Deus, também
sustentada por um pedestal.
Candelabro
Os eslavos costumam usar um grande candelabro com sete lamparinas
alimentadas com azeite de oliva. As demais igrejas bizantinas usam
castiçais convencionais.
Cálice
Destinado a conter o preciossímo Sangue de Cristo e, para comunhão dos
fiéis, também as partículas de Pão consagrado. A copa do cálice deve ser
grande e profunda, e a base sólida.
Disco
É uma patena ampla e possui uma beirada alta; entre os eslavos é comum
que o Disco tenha um pequeno pedestal. O Disco é destinado a conter o
Cordeiro (pão eucarístico).
Asterisco ou Estrela
É composta de duas lâminas metálicas semi-circulares, unidas no meio por
um parafuso sobre o qual está uma cruzinha e do qual pende uma
estrelinha que nos lembra a estrela guiou os Reis Magos até a gruta de
Belém. O asterisco serve para preservar as partículas do contato com o
véu que recobre o disco.
Véus
São três: dois menores servem para recobrir o cálice e
o disco. O grande véu, chamado áër cobre tanto
o cálice como o Disco. Simboliza, o áër, a
pedra que fechou o sepulcro de Jesus.
Lança
É uma pequena faca em forma de lança e serve para recortar o pão
oferecido e as partículas necessárias para o sacrifício. Simboliza a
lança que feriu Jesus.
Colher
Uma pequena colher, cujo cabo comprido termina em forma de cruzinha, é
usada para distribuir a comunhão aos fiéis. Simboliza a tenaz com que o
Serafim pegou o carvão ardente e tocou os lábios do profeta Isaías
(6,6). O carvão ardente, para os Orientais, é uma figura que
designa a partícula consagrada.
Esponja
É um pequeno triângulo de esponja prensada. Serve para reunir as
partículas consagradas e tombá-las dentro do cálice. Serve também para
purificar o Disco e as mãos do celebrante de qualquer fragmento de pão.
Este acessório simboliza a esponja com a qual deram de beber ao Cristo
na Cruz.
Prósfora
É o pão eucarístico utilizado na Liturgia. Conforme o antiqüíssimo
costume oriental o pão da Eucaristia é fermentado e não
ázimo como na tradição ocidental. A prósfora traz impresso
na sua parte superior um selo quadrado onde está inscrita uma cruz com
as abreviaturas gregas IC XC NIKA
(Jesus Cristo Vence). A parte delimitada por esta impressão,
cortada durante o rito da preparação (Proscomídia), é colocada no Disco
na forma de um cubo. Recebe então o nome de Cordeiro: este é o pão que
virá consagrado durante a liturgia. Corresponde à hóstia da missa
latina. Outras quatro prósforas são utilizadas para extrair delas umas
partículas em memória da Virgem Mãe de Deus, dos Santos, dos Vivos e dos
Mortos. O pão que sobrar é cortado em pedaços e, após ter sido abençoado
(não consagrado) será distribuído no fim da liturgia sob o nome de
antídoron.
Zéon ou Teplotá
Água quente que, ainda fervendo, será derramada no cálice após a fração
do pão enquanto o Sacerdote pronuncia as palavras: "Fervor da fé
cheia de Espírito Santo". Por extensão, também o recipiente que
contém o zéon recebe o mesmo nome.