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A VERDADEIRA E A FALSA ORTODOXIA
por Venerável Arcebispo Abércio da Siracusa e da Trindade
Tradução de Rafael Resende Daher

Ao mesmo tempo a pessoa deve crer e lembrar que a Ortodoxia não é apenas
o que sempre é chamado oficialmente de "Ortodoxia", pois na nossa
época maléfica e falsa, há em todo lugar a pseudo-Ortodoxia que está
levantando a sua cabeça e se estabelecendo no mundo de uma forma
extremamente lamentável, mas infelizmente, isso hoje é um fato
inquestionável. Esta falsa Ortodoxia luta com todas as forças para
substituir a verdadeira Ortodoxia, como em seu tempo o Anticristo
tentará suplantar e substituir o Cristo por si próprio.
A Ortodoxia não é apenas algum tipo de organização meramente terrena ,
liderada por patriarcas, bispos e padres que guardam o ministério da
Igreja, que é oficialmente chamada de "Ortodoxa". A Ortodoxia é o "Corpo
místico de Cristo", cuja cabeça é o próprio Cristo (ver Ef. 1,22-23;
Col. 1,18, 24 e seguintes), e ela não é composta apenas pelos sacerdotes
mas também por todos verdadeiros fiéis de Cristo, que entraram de
uma forma legal em Sua Igreja pelo batismo, todos que vivem nesta terra
e todos que morreram na fé e piedade.
A Igreja Ortodoxa não é nenhum tipo de "monopólio" ou
"negócio" do clero, como pensam os ignorantes e alienados do
Espírito da Igreja. Ela não é patrimônio deste ou daquele hierarca ou
sacerdote. Ela é a união espiritual de todos aqueles que verdadeiramente
acreditam em Cristo, que lutam de uma forma santa para manter os
mandamentos de Cristo, para herdar a benção eterna que Cristo o Salvador
nos preparou, e que se pecam devido à fraqueza, buscam o arrependimento
sincero e lutam para " produzir, pois, frutos dignos de
arrependimento" (Lucas 3,8).
A Igreja, isso é
verdade, não pode ser retirada completamente do mundo, pois o povo que
adere a Ela ainda vive no mundo, e então os elementos "terrenos" de sua
composição e organização externa são inevitáveis, entretanto, estes
elementos ajudam-na a cumprir suas metas eternas. Em todo caso, este
elemento "terreno" não deve obscurecer ou suprimir o elemento
puramente espiritual - a questão da salvação da alma para a vida eterna
- pelo qual a Igreja foi fundada e existe.
O primeiro e fundamental critério, que deve ser usado como guia para
distinguir a Verdadeira Igreja de Cristo, das falsas igrejas (e elas são
tantas!), é o fator da verdade ter sido preservada intacta, sem
distorções feitas pelos sofismas humanos, pois segundo a palavra de
Deus, "a Igreja é o pilar e sustentáculo da verdade" (I Tim.
3,15), e então nela jamais pode ser encontrada alguma mentira. Qualquer
um que confesse e proclame oficialmente uma mentira não é mais da
Igreja. Não apenas os mais altos servos da Igreja, mas também entre os
fiéis leigos que professam qualquer mentira, relembrando do conselho do
Apóstolo: "Pelo que deixai a mentira, e falai a verdade cada um com o
seu próximo, pois somos membros uns dos outros." (Ef. 4,25) ou
"não mintais uns aos outros" (Col. 3,9). Os Cristãos devem sempre
lembrar que segundo as palavras do Cristo Salvador, a mentira vêm do
demônio, que "é um mentiroso, e pai das mentiras" (Jo. 8,44).
Assim, onde há mentira não pode haver a Verdadeira Igreja Ortodoxa de
Cristo! Há também uma igreja falsa que o santo visionário viu e
descreveu claramente no Apocalipse como "Veio um dos sete anjos que
tinham as sete taças, e falou comigo, dizendo: Vem, mostrar-te-ei a
condenação da grande prostituta que está assentada sobre muitas águas;
com a qual se prostituíram os reis da terra; e os que habitam sobre a
terra se embriagaram com o vinho da sua prostituição." (Rev.
17,1-2).
Até no Velho Testamento os profetas de Deus eram enviados aos infiéis do Verdadeiro Deus, que frequentemente eram representados pela imagem do adultério (ver, por exemplo, Ezq. 16,8-58; ou 23:2-49). E é assustador para nós não apenas falar, mas até mesmo pensar que nossos dias insanos temos que observar muitas tentativas para transformar a próprioa Igreja de Cristo numa "prostituta - e não apenas no sentido figurado da palavra, mas também em seu sentido literal, quando é tão fácil justificar-se; a fornicação e todas as impurezas sequer são consideradas pecado! Vemos um exemplo da chamada "Igreja Viva" e dos "renovacionistas" em nossa desafortunada terra após a revolução, e agora em todas as formas contemporâneas de "modernismos" que buscam trazer uma era fácil de Cristo (Mat. 11,30) para si, traindo toda a estrutura ascética da nossa Santa Igreja, legalizando todo tipo de transgressão e impureza moral. Para falar sobre Ortodoxia, é claro, não há maneira apropriada sem manter os dogmas de Fé inalterados e sem erros!