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Retirado do Prólogo de Ohrid
Tradução de Rafael Resende Daher
O santo Novo Mártir Ahdmed nasceu no
século XVII, em uma família muçulmana de Constantinopla. Ele era copista
nos Grandes Arquivos. Segundo a lei Otomana, quem não tinha esposa,
poderia manter uma escrava, e ele tinha uma escrava russa. Outra mulher
caputrada na Rússia vivia com ele, uma senhora idosa, também escrava. As
duas eram muito piedosas.
Nos dias de festa, a senhora ia à igreja. Ela pegava o pão bento ou
antidoron, que levava para a mulher jovem comer. A senhora também
levava água benta para beber. Quando isso acontecia e Ahmed estava por
perto, ele sentia uma agradável e indescritível fragância sair da boca
dela. Ele perguntava o que ela estava comendo, e porque sua boca exalava
tal fragrância. Sem entender o que estava acontecendo, a escrava dizia
que não estava comendo nada. Entretando, ele continuava perguntando. Uma
vez ela contou a ele que estava comendo o pão que fora abençoado pelos
padres, que a senhora trazia toda vez que voltava da igreja.
Ao ouvir isso, Ahmed ficou com muita vontade de visitar uma igreja
Ortodoxa, e receber este pão. Então, ele pediu para que o padre
preparasse um lugar secreto para ele, para que ele pudesse ir quando o
Patriarca fosse celebrar uma liturgia. Quando o dia combinado chegou,
vestido como um Ortodoxo, ele foi até o Patriarcado e acompanhou a
Divina Liturgia. Enquanto estava na Igreja, ele viu o Patriarca brilhar
e levitar sobre o chão, como quando ele saía do altar pelas portas reais
para abençoar o povo. Quando ele abençoava, raios de luz saiam de seus
dedos, estes raios tocavam a cabeça de todos Ortodoxos, mas não na
cabeça de Ahmed. Isto aconteceu duas ou três vezes. Ahmed veio para a
fé. Sem hesitação, ele procurou o padre, que o reviveu pelo batismo.
Ahmed permaneceu como Ortodoxo em segrego, escondendo seu nome de
batismo, que até hoje não sabemos.
Entretanto, um dia Ahmed e um certo nobre estavam comendo juntos. Após a
refeição eles sentaram para conversar e fumar, como no costume islâmico.
No meio da conversa, começaram a discutir sobre qual era a melhor coisa
do mundo. Cada um deu a sua opinião. O primeiro disse que a melhor coisa
do mundo para um homem é a sabedoria. O segundo afirmou que a mulher era
a melhor coisa do mundo. E o terceiro disse que a melhor coisa do mundo,
e a mais deliciosa, é uma comida bem preparada - pois não há a comida
dos justos no paraíso?
Então chegou a vez de Ahmed. Todos eles olharam para ele, perguntando
qual era sua opinião sobre o assunto. Repleto de um zelo sagrado, Ahmed
disse chorando, que a melhor coisa do mundo era a Fé Ortodoxa. E ele
confessou ser um Cristão, e censurou a decepção dos muçulmanos. Primeiro
os muçulmanos ficaram espantados. Depois, repletos de ódio, pegaram o
santo mártir e levaram-no a julgamento, para que ele fosse condenado à
morte. Ele foi decapitado, recebendo a coroa do martírio em 3 de maio de
1682.