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Por Pedro Ravazzano
A revolução russa não pode ser vista como uma revolução propriamente
dita, diferente do que se pensa, a participação popular foi pouca, a
única importância foi com a manipulação das frentes trabalhistas!
O sucesso obtido foi graças à infiltração em altos escalões dos
ministérios militares e das policias, além da própria nobreza, que ou
sonhavam com a revolução ou não viam com bons olhos as mudanças
políticas propostas por Nicolau, como veremos mais adiante.
O Tsar representava a Ortodoxia e a Rússia, sendo assim, para criar um
governo comunista ou de extrema-direita, era obrigatoriamente necessário
ultrajar e fazer com que o povo ficasse contra os Romanovs, e foi
exatamente isso que ocorreu, a imagem de Nicolau II passou a ser objeto
de zombaria e piada, não só com histórias e mentiras, mas também com um
complexo jogo de intriga.
Depois do golpe, a família real deveria ser eliminada, já que como
disse, representavam uma Rússia que estava sendo sepultada, sendo assim,
nada mais "lógico" que enterrar junto os seus símbolos vivos!
Tanto é, que mesmo depois do martírio do Tsar Nicolau II e família, a
memória destes continua sendo ultrajada, para permanecer difundido a
idéia de uma Rússia Tsarista despótica, cruel e desumana!
O primeiro Romanov a governar a Rússia, foi tirado do monastério de
Ipatiev, o grande soberano Nicolau, perdeu a vida numa casa chamada
Ipatiev!
O primeiro Tsar Romanov se chamava Miguel, um Miguel foi também o
último, em favor de quem Nicolau II, humildemente abdicou!
Tristes coincidências!
Vamos agora elucidar alguns pontos chaves.Os quatros grandes fatos que
corroboram a visão deturpada do Tsar é a guerra do Japão, os progroms
contra os judeus, domingo sangrento e Rasputin!
Primeiramente vamos esclarecer a questão do repugnante Grigori.
Rasputin é objeto de milhares de teorias e intrigas, a grande maioria
destas se baseiam nas falácias proferidas pelas comunistas, onde após a
revolução, mesmo martirizando a família real, continuou mantendo um
projeto de desmoralização com lendas e mitos, Grigori Rasputin, o "diabo
santo" é um dos maiores propulsores da perversa criatividade
bolchevique.
Esse satânico homem foi apresentado a Tsarina como o herdeiro e sucessor
de São Serafim de Sarov, Rasputin era tão sonso, que fizera uma
peregrinação a Kiev, Sarov, locais santos em toda a Rússia, era tão
sorrateiro, que chegara a ponto de lubridiar sacerdotes como o Pe.
Teôfano, reitor da Academia de Teologia de Petersburgo:
"Na vila de Pokroveskoe vive um homem religioso chamado Grigori. Como
São Serafim e o profeta Elias, tem o dom de fechar os céus".
A entrada de Rasputin na corte se deu através de Anya, outra diabólica
presença em meio a família real, a primeira coisa que proferiu a Tsarina
foi a seguinte frase; "Não tenha medo,minha querida.Cristo está com
você".
Como essa repugnante pessoa enganou tanta gente?Simples, usara da
religiosidade da família real para ganhar espaço, ainda mais depois que
passara a "curar" o Tsarevich Aléxis (possivelmente com
hipnose).Entretanto, não tinha como esconder sua verdadeira aura.A
policia secreta que o espionara, havia relatado que ele se embebedava e
"tinha relação com coristas, cantoras de cabarés e mulheres de índole
duvidosa, mas quanto a relação com senhoras da alta sociedade, não
obteve provas".Além disso, fazia questão de divulgar suas orgias, um
dia, junto com dois grandes repórteres (Sendo que um era do maior
tablóide da Rússia) e mulheres em geral, foram para um restaurante, se
embriagaram, Rasputin ficou nu, mostrando as partes genitais, continuou
a conversar, passando a proferir frases obscenas e pesadas.
Muitos devem se perguntar, por que a Tsarina não se rebelava contra
Rasputin?Alexandra era religiosa, assim como toda a família, e como era
amplamente conhecido na Rússia, existia uma classe de santidade muito
singular e devota, "os loucos por Cristo", Rasputin se passava por um,
onde o idiotismo se refletira na degeneração sexual.
Entretanto, sua máscara foi caindo, a sua pseuda-aura santificada foi
embora, e os olhos humildes passaram a emanar ódio, com a graça de Deus
foi morto.
Quanto aos três outros fatores, devemos lembrar que os comunistas haviam
se estabelecido de forma gritante dentro das instituições políticas.
Depois da morte do Ministro do Interior, Pehve (de cujo ministério o
departamento de polícia fazia parte), descobriu-se em seus escritos que
a guerra da Manchúria foi induzida, ele diz:
"Para segurar a revolução, precisamos de uma guerrinha vitoriosa"
Wiite, o Ministro mais influente da Rússia, conta em suas Memórias um
episódio curioso: durante sua gestão como primeiro-ministro, ele lutou
para acabar com os progroms, ações violentas contra os judeus.Como era
natural, ajudou-o o Departamento de Polícia.Ficou horrorizado quando
soube, através de um oficial do departamento, que, ao mesmo tempo em que
combatia os progroms, a polícia preparava editais destinados a incitar o
povo a massacrar os judeus!Esses editais eram enviados secretamente, em
pacotes, para as províncias.O terrível massacre dos judeus em Gomel
começara por causa deles.
Em relação aos judeus e a perseguição, foram usados pela polícia e a
camarilha como artifício de desgaste da imagem do Tsar, até apresentaram
os Protocolos dos Sábios do Sião (forjado pela polícia) a Nicolau,
entretanto, o mesmo percebeu claramente que se tratava de uma
adulteração, até o revolucionário Burtsev reconheceu:
"No começo, logo que os Protocolos apareceu, o Tsar aceitou-o de boa fé
e até encantou-se por ele, mas percebeu rapidamente que o livro não
passava de provocação".
E por que esse interesse em difundir o anti-semitismo, o
ex-Primeiro-Ministro Witte responde:
"Do seio desse povo judeu, que era extraordinariamente covarde trinta
anos atrás, surgiram aqueles que estão dando a própria vida pela
revolução, transformando-se em bombardeadores, assassinos e agitadores.
Nenhuma nação deu à Rússia tantos revolucionários como a nação judaica".
Vera Leonidovna Yureneva, uma das poucas sobreviventes do mundo imperial
russo, diz:
"A camarilha da Rússia, envolvia famílias importantes, mas degeneradas,
que temiam perder riqueza e o poder, e detestavam o incompreensível
capitalismo dos novos tempos. Era essa gente que formava o círculo
interno, a corte de Nicolau e Alexandra. Meu amigo percebia que na
Rússia havia uma aliança secreta entre a extrema direita, isto é, a
camarilha e a polícia secreta. Foi por isso que, quando Alexandre II
estava preparando a constituição, a polícia deixou de protege-lo como
deveria e ele foi assassinado. Meu amigo sempre falava dos bilhetes
cheios de ameaças contra o Tsar Alexandre III que chegavam ao palácio de
Gatchina, cuidadosamente vigiado. Reforçavam o ódio do Tsar pelos
liberais e eram enviados através da polícia secreta. O Departamento de
Polícia fugiu do controle do Tsar, no fim do século, quando a polícia
secreta começou a espalhar agitadores no movimento revolucionário (...).
Começou uma época de perigosas intrigas tecidas pela camarilha e pela
polícia secreta contra o tsar e a sociedade.Uma dessas intrigas foi a
guerra japonesa ".
Outra intriga da polícia secreta foi o famoso Domingo Sangrento, que deu
ao Tsar o mentiroso título de "Nicolau II, o Sanguinário".
É bom recordar que uma semana antes do fatídico dia, Nicolau finalmente
deixou sua aura de paz e humildade, e foi contra a escusa camarilha (Que
já pensava em trocar o verdadeiro Tsar por um primo Romanov distante),
sendo assim, fomentou leis destinadas a melhoras e regulamentar a
conduta governamental, porém, logo após, o chefe-de-policia Dimitri
Fedorovich pediu demissão como protesto contra a tentativa do Tsar de
salvar a Rússia.
Também devemos lembrar que três dias antes do fatídico acontecimento, na
festa da Epifania do Senhor, fizeram no aterro do palácio um "rio
Jordão" para a consagração anual da água, Nicolau ajudara o Patriarca na
celebração, e como era tradição, o canhão da fortaleza de São Pedro e
São Paulo, localizado do outro lado do "Jordão", disparou tiros.Para
horror das pessoas ali reunidas, o canhão fora carregado com balas
verdadeiras, e não de festim, como teria de ser.Por milagre, o Tsar não
foi atingido, mas um policial saiu ferido, seu nome era Romanov!
A polícia que em circunstâncias normais ficaria exageradamente
preocupada declarou o fato um acidente desagradável.
Em relação ao Domingo Sangrento, sabemos que era um marcha, onde o povo
carregara bandeiras, retratos do Tsar e ícones, enquanto entoavam o Deus
Salve o Tsar, porém, o Departamento de Polícia, mesmo estando muito bem
informado das boas intenções da marcha de protesto, porque Gabon, o
organizador, era um de seus agentes, começou a ameaçar o Tsar, dizendo
que durante a manifestação haveria muito tumulto, preparada por
revolucionários, querendo assaltar o palácio, tanto é,que Nicolau
escreve em seu diário:
"9 de Janeiro de 1905.Um dia difícil.Sérios distúrbios em Petersburgo,em
conseqüência da tentativa dos trabalhadores de tomar o Palácio de
Inverno.As tropas foram obrigadas a atirar e,em vários pontos da
cidades,pessoas foram mortas ou feridas.Senhor,é tão doloroso e duro"
Depois do domingo sangrento, os atentados aumentaram de forma colossal,
praticamente já se vivenciava uma predica do que seria a revolução,
nestes ataques o tio do Tsar, Grão-Duque Sergei Alexandrovich foi morto,
o seu falecimento não deve ser lembrado por causa de sua pessoa, já que
era despótico e entregue a corrupção, mas merece ser citado pelo
ocorrido após sua morte.
A sua esposa, Elizaveta Fedorovna (mais conhecida na corte como Ella),
colocou na pedra tumular do marido a seguinte mensagem; "Pai,
perdoia-os, porque não sabem o que fazem", além disso foi visitar o
assassino na prisão, tendo a seguinte conversa:
- Por que matou meu marido? - perguntou ao assassino
- Matei Sergei Alexandrovich porque ele era uma das armas da
tirania.Vinguei-me em nome do povo - ele respondeu.
- Não dê ouvidos ao orgulho - ela aconselhou - Arrependa-se e suplicarei
ao soberano para que lhe poupe a vida.Intercederei por você, porque eu
mesma já o perdoei.
O assassino não se arrependeu, mas diante de um mundo tão entregue a
confabulação, intriga e corrupção, Elizaveta e Nicolau surgem como
pérolas em meio à devassidão.
Vale lembrar que a Grã-Duquesa Elisabete depois da morte do seu marido
fundou o mosteiro de Santa Maria e Santa Marta, vivendo unicamente na
adoração ao Senhor, porém, quando a revolução chegou, foi martirizada
sendo sepultada viva numa mina.
Vera Leonidovna Yureneva ainda diz em suas memórias:
"(...) No livro que escreveu, meu marido, Koltsov [era judeu], pintou um
retrato devastador do Tsar, mas ele realmente não compreendia. Eu
comparava o Tsar ao bom homem, personagem de uma peça chinesa, a quem um
malfeitor iludia com mentiras. O bom acreditou, por um instante, no mau.
Meu amigo, o livre-pensador, que tinha amizade com Witte, percebeu, no
final de 1904, que havia um complô na corte e que o Domingo Sangrento
fazia parte do esquema".
O Tsar em carta para a mãe diz:
"(...) Discutimos o documento durante dois dias [a constituição]. Então
orei e assinei-o (...). Querida mamãe, não pode imaginar quanto tenho
sofrido. Meu único consolo é pensar que essa é a vontade de Deus e que a
difícil decisão tirará nossa amada Rússia desta situação caótica,
insuportável, em que se encontra há quase já um ano".
Mal sabia o Tsar que a camarilha e os comunistas não queria uma
constituição ou reformas nas leis, mas sim o corpo ensangüentado de
Nicolau II e sua família.
14 de maio de 1986.Moscou, Kremlin.Na antiga Catedral da Assunção, o
rito sagrado de coração seguia seu curso.Velas acesas...Um coro
angelical...Ele tomou a grande coroa das mãos do Patriarca e colocou-a
na própria cabeça.Ela ajoelhou-se diante dele...Uma pequena coroa de
diamantes já cintilava no cabelo loiro ".
17 de julho de 1918.Ekarerinburg."Os corpos foram colocados na vala e
sobre eles derramou-se ácido sulfúrico, para evitar que fossem
reconhecidos e que exalassem mau cheiro ao apodrecer, pois a vala não
era profunda.Cobrimos com terra,cal e tábuas e passamos por cima várias
vezes, de modo que não ficou sinal da cova.O segredo está bem guardado".
Para terminar, quero citar uma passagem bíblica, Obadias (1:4), a última
coisa que a Tsarina leu para seus filhos, antes do martírio.
"Se te remontares como águia e puseres teu ninho entre as estrelas, de
lá te derrubarei diz o Senhor".