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por Nicholas Mass
Tradução: Rafael Resende Daher
O ano de 1996 marca o aniversário de quatrocentos anos da vergonhosa
“União” de Brest-Litovsk, em que a pressão política, econômica e militar
causou sofrimento a milhões de Cristãos Ortodoxos que viviam no lado
Ocidental da Rússia, Bielorússia e Ucrânia, forçados a aceitar a falsa
união com Roma. Um dos principais participantes deste violento e
depravado movimento era um Bispo Ortodoxo apóstata (um de muitos,
infelizmente) que se chamava Josafá Kontzevich.
Não é necessário recorrer à polêmica para falar mal de Josafá Kontzevich. Sua linguagem vil, sua deslealdade, seu amor à glória e ao poder mundano e seu reconhecimento, suas violentas campanhas contra a Ortodoxia – estes fatos da história falam por nós. É surpreendente como Roma elegeu a “canonização” deste “Hitler” da religião do Oriente, como alguns historiadores Ocidentais o chamam, elevando ao estado de santo um homem que fomentou e encorajou a violência, que matava em nome da unidade da Igreja. Considerando a magnitude da brutalidade e insanidade de Josafá e sua insana intolerância, parece prudente para nós, neste aniversário da lamentável união forçada de Brest-Litovsk, olhar esta principal figura da história do Oriente Europeu.
Josafá, Bispo Uniata de Polotsky e fundador da Ordem Uniata Basiliana, foi mais do que um apóstata. Foi o maior praticante da “psicologia do terror”. Ele não foi o primeiro a empregar as práticas da psicologia do terror. E nem foi o último. Os antigos Assírios, como dizem, usavam sistematicamente a intimidação para subjugar os habitantes de seu império [1] e seu fim foi celebrado no Velho Testamento pelo profeta Naum (Naum 3,18-19). E nos tempos modernos, regimes comunistas da Europa Oriental (alguns felizmente morreram) e da China também conhecem muito bem as táticas da psicologia do terror. Mas Josafá é único, pois é o único terrorista da história que ganhou a coroa da beatificação, pois os outros déspotas ganharam apenas blasfêmias intermináveis.
A campanha de terror de Josafá foi planejada e executada por apenas um propósito: desencorajar e evitar que os Cristãos Ortodoxos praticassem sua antiga fé. A partir do momento que o povo Ortodoxo não seguia mais seus Bispos, um punhado de padres, e a nobreza apóstata, Josafá e seus seguidores apóstatas escolherem conscientemente utilizar seus métodos violentos. Eles faziam isso para criar entre os fiéis Ortodoxos um sentimento de desespero e fraqueza, assim como o Marechal Petain fez séculos depois, Josafá quis impor uma religião artificial, uma teocracia na qual ele seria o administrador. Religiosos foram forçados a abandonar suas Igrejas, muitos partiram somente pelas espadas sangrentas. Por exemplo, quando os ortodoxos montavam barracas para orar, Josafá encorajava seus bandoleiros a interromper seus serviços, atear fogo nas barracas e agredir o clero e os fiéis. E com a ajuda das autoridades civis latinas, Josafá cuidou para que os padres Ortodoxos fossem exilados e para que nenhum Bispo Ortodoxo fosse Consagrado. [2] Seu pogrom derrubou violentamente toda resistência contra a “União” de Brest, e deixou os Ortodoxos incapazes de protestar contra a dominação Papal e a perda da fé.
Para concluir, as táticas de terror de Josafá não tiveram mais sucesso que as de outros déspotas degenerados. Por seus crimes contra a humanidade, este grande apóstata venenoso e pervertido foi espancado e apedrejado por fiéis furiosos, despachado para receber sua justa recompensa em 1623. Sua brutalidade recebeu desprezo até do Chanceler católico romano da Lituânia. [3]. Além disso, os fiéis Ortodoxos nunca aceitaram realmente a Unia ou os bispos apóstatas do mesmo tipo que Josafá, apesar de seus esforços covardes para ganhar tal reconhecimento, eles nunca tiveram o mesmo reconhecimento que seus conterrâneos latinos. [4] No fim, milhares de Ortodoxos voltaram à Fé quando algumas mudanças ocorreram no século XIX, assim como muitos católicos gregos na América abraçaram a Ortodoxia após a chegada do Novo Mártir Tikhon, na época líder das Igrejas Russas no Novo Mundo.
A idéia da Unia como uma ponte entre a Ortodoxia e Roma morreu com Josafá e seu testemunho violento e vulgar. Seu espírito continua vivo nos esforços dos ecumenistas latinos em reduzir a Ortodoxia a uma “filial” Oriental da Igreja latina, ou no espírito de ecumenistas Ortodoxos que desejam sujar a Fé Ortodoxa com uma falsa união com Roma, mas entre os de consciência Ortodoxa, Josafá demonstra claramente “algo podre no ecumenismo”, cujo acordos de uniões que enfraquecem os fiéis no final das contas não obtém sucesso – até mesmo seus advogados o deram uma suposta coroa de santidade com pingos do sangue dos mártires. Os Ortodoxos ecumenistas modernos devem olhar para este homem terrível e desprezível e seu futuro. A força militar Polonesa e Lituana não foi capaz de ajudar esta traição a sobreviver. Os esforços hercúleos dos ecumenistas atuais consiste em continuar este legado igualmente infame e vergonhoso em que caíram. E caso sangue escorra de sua coroa, a hipocrisia irá fluir dos malévolos louros que eles esperam conquistar cortejando, em nome da Fé, aqueles que foram seus inimigos.
Notas de Rodapé
1. M. Healy, The Ancient Assyrians (London: Osprey, 1991), pp. 8-9.
2. N. Zernov, Eastern Christendom (New York. G.P. Putnam's Sons, 1961), pp. 147-148.
3. Deacon H. Ivanov-Treenadzaty, "The Vatican and Russia," Orthodox Life, March-April 1990, pp. 8-24.
4. N. Zernov, The Russians and their Church (London: S.P.C.K, 19,54), p. 87.
Sr. Maas é um uniata convertido à Fé Ortodoxa. De Orthodox Tradition, Vol. XI, No. 3, pp. 48-50.