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por Padre Elie K. Stephan

Ícone da Natividade do Senhor
A presente festa da Natividade na carne de nosso Senhor Jesus Cristo foi estabelecida pela Igreja. A sua origem volta ao tempo dos Apóstolos. Nós lemos no livro de Constituições Apostólicas (século II) sessão 3, 13: “irmãos, observem os dias festivos; em primeiro lugar o Nascimento de Cristo”. Em outro lugar diz: “Celebrai o dia da Natividade de Cristo, no qual a graça invisível foi dada a nós com homem através do Nascimento do Verbo de Deus da Virgem Maria para a salvação do mundo.
No século II, São Clemente de Alexandria indica que o dia da Natividade de Cristo é 25 de Dezembro. No século III, são Hipólito de Roma menciona a Festa da Natividade de Cristo a aponta a leitura do Evangelho para esse dia do primeiro capítulo de São Mateus.
No ano 302, durante a perseguição dos cristãos por Maximiano, 20000 cristãos de Nicomédia foram queimados na igreja na festa da Natividade de Cristo. Logo depois dessa perseguição o Cristianismo recebeu a liberdade de exercer a sua religião e ficou a religião oficial do Império Romano. A partir daí, a festa da Natividade passou a ser observada e celebrada pela Igreja inteira. Nós encontramos muitas indicações nos escritos de vários padres do século IV: São Efrém, o Siríaco; São Basílio, o Magno; São Gregório, o Teólogo; São Gregório de Nissa; São Ambrósio de Milão; São João Crisóstomos e outros.
A data
de 25 de dezembro era uma festa mundana dos gentios na qual comemoravam
o dia do deus Sol. Nesta festa era praticado todo tipo de rituais
imorais de ponto de vista cristão. Para impedirem a freqüência de muitos
cristãos a esta festa de um lado, e para combaterem a idolatria, de
outro lado, os padres da Igreja fixaram a data do Nascimento de Jesus
neste mesmo dia. Assim fazendo, a Igreja conseguiu ao longo de tempo
acabar com a adoração dos astros e pregou ao mundo que o Sol Verdadeiro
“que ilumina todo ser vindo ao mundo” é o Nosso Senhor Jesus Cristo. Eis
o que diz o Tropário da festa:
Teu nascimento, ó Cristo, nosso Deus, fez brilhar no mundo a luz da
Sabedoria; e, graças a uma estrela, aqueles que adoravam os astros
aprenderam a adorar-te, Sol de Justiça, e ao conhecer em Ti o Oriente
que vem do alto: Glória a Ti, Senhor.
No seu sermão que proferiu no ano 385, São João Crisóstomo afirma que esta festa (Natividade) é muito antiga. No século VI, o imperador Justiniano estabelece a celebração da Natividade de Cristo no mundo inteiro. (conforme o Nikephoros Kallistos: escritor do século XIV)
Nos primeiros três séculos, a festa da Natividade era celebrada junto com a da Epifania (Manifestação de Deus), batizado de Jesus por João Batista, no dia 6 de Janeiro nas igrejas de Jerusalém, Antioquia, Alexandria e Chipre. Isso foi devido à crença de que Cristo foi batizado no aniversário de Seu Nascimento. Tal idéia podemos deduzir das palavras de São João Crisóstomo no seu sermão sobre a Natividade de Cristo: “o dia que é chamado Teofania não é o dia em que Cristo nasceu, mas é aquele dia em que Ele foi batizado”. Em comparação a isso, citamos as palavras do Evangelista Lucas onde diz: “Jesus começou a ser de quase trinta anos” (Lc.3, 23) quando foi batizado. A junção das duas festas continuou até o final do século IV em algumas igrejas orientais e até o século V ou VI em outras. Hoje em dia, algumas igrejas continuam a celebrar as duas festas (Natividade e Teofania) na mesma data: 6 de Janeiro, tais como a Igreja Russa, a Igreja Armênia, A Igreja Siríaca...
A época que precede o Natal, o Advento, é uma época de jejum que começa no dia 15 de Novembro e vai até o dia 25 de dezembro, como preparação do corpo e da alma para recebermos a comunhão nesta festividade tão importante para nós homens.
A Natividade de Cristo é considerada como uma das doze festas mais importantes. Ela é a festa que traz a maior felicidade e maravilhas na história humana. O anjo disse aos pastores: “Não temais, pois vos anuncio uma grande alegria, que é para todo o povo: Nasceu-vos hoje, na cidade de Davi, um Salvador, que é Cristo Senhor. Este será o sinal: encontrareis o menino envolto em panos e deitado numa manjedoura”. Imediatamente juntou-se ao anjo uma multidão do exército celeste, que louvava a Deus, dizendo: “Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por ele amados”. Assim que os anjos se foram para o céu, os pastores disseram uns aos outros: “Vamos até Belém, para ver o acontecimento que o Senhor nos deu a conhecer”. Foram depressa e encontraram Maria, José e o menino deitado numa manjedoura. Vendo-o, contaram as coisas que lhes foram ditas sobre o menino. Todos que ouviam isto, maravilhavam-se do que lhes diziam os pastores. Maria conservava todas essas coisas, meditando-as em seu coração. Os pastores voltaram glorificando e louvando a Deus por tudo que tinham visto e ouvido, conforme lhes fora dito” (Lc.2, 10-20). Assim, a Natividade de Cristo, o evento extraordinário mais profundo, fora acompanhado pelas coisas maravilhosas proclamadas para os pastores e para os magos. Esta é a causa da alegria de gênero humano inteiro: “Pois o Salvador nasceu”.