.: Notícias
.: Links
.: Fórum
.: Teologia
.: Quem Somos
.: Apologética
.: Iconografia
.: Hagiografia
.: Fé Ortodoxa
Ortodoxia Brasil - Todos os direitos Reservados - ©2006 Ortodoxia Brasil

ALGUMAS QUESTÕES PRÁTICAS DA VIDA DA IGREJA
Tradução por Vladimir Bresgunovf
Fonte: Revista “Pravoslávnaya Russ.”(“Rússia Ortodoxa”). – do Mosteiro da Santíssima Trindade em Jordanville, USA, “Vestinik”(“Mensageiro”), - das dioceses de Nova Iorque e do Canadá (Publicação junto à cátedra do Primaz da Igreja) e outras.
Nossos agradecimentos ao José de Arimatéia (Paróquia da Santíssima Trindade, São Paulo, ROCOR), que digitalizou e nos cedeu gentilmente este material.
PERGUNTA: Chegam cartas que contém o texto de uma prece com a exigência de passa-lo para afrente em determinado número de exemplares – sob a ameaça de abater-se uma desgraça, caso o texto integral não seja despachado. O que se deve fazer com essas cartas?
RESPOSTA: A mesma pergunta fazem muitos – está ampla propagação semelhante tentação. Para não sucumbir a ela não se tornar um elo dessa ímpia corrente, é preciso aprender a noção correta da oração. Ela é o meio da alma crente dirigir-se a Deus, entregando-se à Providencia Divina, e de maneira alguma, uma formula mágica capaz de trazer um beneficio pela força de suas próprias palavras – repetidas verbalmente ou multiplicadas por escrito. Nos hábitos populares, ao lado da verdadeira prece, marcada pela graça, estas fórmulas alastram-se também, - nelas o próprio conteúdo de reza entrelaça-se de modo assaz estranho com o demonismo. Algo semelhante são as tais “correntes” de preces, que visam obter assistência mágica através da sua propagação.
A característica da verdadeira prece é a dedicação a Deus. Quando porém, deseja-se adquirir poder, força, capacidade, - dos quais o homem poderia dispor ao seu próprio critério – trata-se de interesse. Desta volição vale-se a força do Mal para capturar a alma. O traço especialmente maligno das missivas que atribuem um caráter mágico a estas preces aparece sob a forma de ameaças de infortúnios, de modo que a pessoa coagida por meio delas, começa a intimidas os outros na cartas que propaga, e com isto comete um grave pecado .
Semelhantes cartas devem ser jogadas fora ou queimadas, sem dar-lhes nenhuma atenção : assim sendo, com a artimanha do inimigo não conscientizada, a missiva não tocará a alma da pessoa com sua aparência sagrada, mas na realidade de teor pecaminoso.
(“Prav. Russ.”, 1958, No 14, p. 13).
A Direção Diocesana do Canadá adverte contra o uso dos ícones do Salvador e da Mãe de Deus como postais que contém no verso as congratulações festivas. Estes “postais” devem ser queimados e as cinzas enterradas ou jogadas na água límpida corrente.
(“Prav. Russ.”, 1962, No 4, p. 16).
Por ordem do Arcebispo Ioán (recentemente canonizado pela Igreja – N. T.) em consideração ao preceito de que as vésperas dos Domingos e dos dias festivos devem ser consagrados à preparação através das preces para participação no oficio divino. As pessoas que passarem estas noites num baile ou outros entretenimentos, ficam proibidas de participar do canto na igreja, ajudar na missa, entrar no altar ou subir ao “Klírios” (reservado ao coral e leitores)
(P. R. 1964, N0. 24, p. 15 – Cf.: Decreto do Sínodo Episcopal da Igreja Russa Ortodoxa Fora da Rússia – “Pravoslavníy Puth”, 1965, p. 22).
“...pedimos aos nossos Hierarcas dar atenção ao fato do crescente aumento do número de pessoas que se dedicam à pintura e venda de ícones. Destas não são poucos os pintores sem preparo para a execução deste trabalho importante e sagrado de maneira correta seguindo os padrões tradicionais, como somente as imagens aprovadas pelo Sínodo”.
(Resolução do encontro pastoral”, - “Vestnik” das Dioceses de New York e do Canadá”, 1992, N0 48 – 49, p. 2)
Cf. : “Não é para qualquer um ser pintor de ícones.
“(Deliberação do Concílio Territorial da Igreja Russa de 1551, conhecido como “Stogláv”).
PERGUNTA : Quando é que se pode andar pela igreja?
RESPOSTA : O ideal é chegar à igreja antes do começo do oficio divino, oscular as imagens, acender as velas e entregar os nomes dos vivos e falecidos para serem mencionados na hora da preparação das oferendas. É este ideal que devemos almejar. Porém, nós vivemos em tempos, quando dificilmente se pergunta : quando que vamos à igreja no domingo ou num dia festivo.
Chamaremos, então, atenção aos casos quando não é permitido sob hipótese alguma, andar durante a Divina Liturgia:
Durante a leitura da Epistola e do Santo Evangelho.
Durante o Intróito Solene ao canto do Hino Cherúbico.
Das palavras “Postemo-nos piedosamente...” às “Digno é...”, ou seja durante o Cânon Eucarístico – a parte principal, sagrada e misteriosa da Liturgia.
Durante o canto do “Pai e nosso”.
Quando os Santos Dons são levados do altar para a comunhão dos fiéis e às palavras “sempre, agora e incessantemente...”
Durante outras partes da missa pode-se locomover em caso de extrema necessidade para não perturbar o estado de espírito da dedicação à prece e por respeito à própria igreja, tendo em mente que é sagrada, como sagrado é o oficio divino nela celebrado (...)
Cumpre salientar que no caso quando no meio da igreja ou no átrio (durante a “litiyá”) encontram-se o bispo, sacerdote, diácono ou leitor, ou ainda, quando no meio da igreja acha-se exposta o ícone do Santo ou da Festa do dia, que não se cruze o espaço entre eles e o altar, mas deve-se sim passar por trás deles.
(“Vestnik” das Dioceses de New York e do Canadá, 1993, N’ 68 – 69).
Segundo as regras vigentes da nossa Igreja Ortodoxa, nos casos de debilidade que ameaça a vida da criança ou em face da impossibilidade de recorrer ao sacerdote em breve, como isto ocorre freqüentemente em nossa diáspora, o batismo pode ser realizado por u m leigo, mesmo por uma pessoa do sexo feminino, através da tríplice imersão na água comum não benta, recitando as palavras “Batiza-se servo / serva de Deus (cita-se o nome) em Nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”. Para isso exige-se obrigatoriamente que o leigo que batiza seja ele mesmo ortodoxo. Um batismo efetuado assim é um verdadeiro sacramento, e caso a saúde da criança se restabeleça, o ato deve ser completado por um sacerdote com as preces e o ritual previsto pela Igreja. É expressamente vedado a um leigo estranho batizar uma criança ortodoxa. Esta proibição deve ser observada com maior rigor quando se trata de padre não ortodoxos por serem doutrinadores da inverdade e de várias heresias.
(“Pravoslávnoye Obzréniye”, 1953, N’ 21, p. 38).
PERGUNTA : Onde devem ser colocados os ícones na casa ?
Entre nós na Rússia, em todas as nossa residências, os ícones são colocados no melhor lugar, na maioria dos casos à direita da entrada. Assim eles ficam localizados nas casas dos camponeses, no tal chamado “Canto Belo” onde fica a mesa de refeições. Nos Estados Unidos eu fiquei admirado durante visita à casa de um padre pelo faro de que as imagens foram colocadas na parede (da maneira católica e não ortodoxa). À minha pergunta ele respondeu, que devido à peculiaridade da construção da casa, nenhum canto era voltado para o Oriente e que as imagens deviam ser colocadas obedecendo esta direção.
RESPOSTA : Consta na 91ª regra canônica de São Basílio Magno extraída do 27º capitulo do livro sobre o Espírito Santo endereçado ao Beato Amfilóquio, que desde os tempos remotos os cristãos proferiam suas preces voltados com o rosto para o Oriente. Ela faz parte do “Livro dos Cânones” obrigatórios para todos os ortodoxos.
São Basílio indaga : “Qual Escritura ensinou nos a olhar para o Oriente rezando? “E explica : “...todos visamos o Oriente na hora das preces, porém, poucos de nós sabem que nisso ansiamos o antigo paraíso, que Deus plantou em Éden no Oriente (Gen. 2, 8). Isto deixa claro que segundo as regras da Santa Igreja Ortodoxa ao rezar devemos nos postar face ao Oriente. É por isso que as igrejas edificam-se com o altar assim orientado. Por outro lado é verdade que seguindo o muito antigo e piedoso costume russo, os ícones são colocados no “Canto Belo”, ou seja num canto mais vistoso, bem arrumado, com a aparência à altura da finalidade de abrigá-las. Eles são colocados no canto porque o Nosso Senhor Jesus Cristo, que se chamou de “Pedra Angular” da Igreja por Ele edificada, naturalmente deve ser a pedra angular de cada lar ortodoxo, o que simbolicamente expressa-se pela colocação dos Santos Ícones no melhor e mais bonito canto da moradia (...)
Além disso um antigo costume entre nós era antes de tudo, dirigir o olhar aos Santos Ícones, fazer o sinal da Cruz acompanhado de profunda inclinação três vezes e só depois cumprimentar os donos da casa.
É natural, então colocar os ícones naquele canto que, por assim dizer, “salta aos olhos” de quem entra. Um canto assim – o mais vistoso, mais cômodo, portanto apropriado para a finalidade, é escolhido habitualmente, às vezes até independentemente do fato de estar ou não virado ao Oriente. Deve-se, sem dúvida, procurar o canto que corresponda à esta orientação. É necessário, porém, ter em mente que o verdadeiro Cristianismo não deve ter devoção exagerada, cega, à “letra da lei” e para adorar a Deus podemos estar em qualquer direção – “em todos os lugares do Seu domínio” (Sal. 102, 22) e não ao Oriente.
(“Prav. Russ. “, 1958, No 19, p. 13)
PERGUNTA : É licito consumir durante o tempo de abstinência e de jejum produtos vegetarianos com o mesmo efeito gustativo em substituição, à carne e ovos?
RESPOSTA : Para chegarmos à resposta correta a esta pergunta precisamos, antes de mais nada, compreender o que é a suspensão do uso de determinado tipo de alimento com todas suas qualidades e características , o que equivale à sua total exclusão. A substituição destes alimentos por gêneros de outra origem mais iguais ou parecidos quanto ao resultado produzido, não passaria, então, de um subterfúgio.
(Metr. Vitaly – de um sermão.)
PERGUNTA : Em que se baseia a proibição do consumo de alimentos derivados de sangue dos animais ?
RESPOSTA : O 67º Cânon do VI Concílio Ecumênico reza : “A Divina Escritura dispôs que nos detivéssemos do sangue, da carne dos animais estrangulados e da luxúria. Portanto aqueles gulosos, que por algum meio preparam o sangue de qualquer animal para alimento e o consomem, julgamos passíveis de pena. Quem daqui em diante comer sangue de um animal em qualquer preparação, - caso tratar-se de um clérigo sofrerá suspensão de ordens e de um leigo, - este será excomungado.
(Cf.: Atas, 15, 29 ; Gen. 9, 4 ; Lev. 17, 10 – 14; Deut. 12, 16 e 23 – 25).
PERGUNTA : Qual é a posição da Igreja quanto à transmissão do Oficio Divino por meios de comunicação como hoje em dia pratica-se amplamente no mundo não ortodoxo ?
RESPOSTA : Não devem ser admitidos tais meios para satisfazer as necessidades espirituais dos fiéis, ou seja, através do rádio e outros expedientes afins pois isso constitui um sacrilégio e deturpa a prece e os Santos Sacramentos,
(Determinação do Concílio Episcopal de 1931. – “Vida e Obras do Beatis. Metropolita Antoniy”, Vol, VII, p. 261)
“Não permitir a instalação do rádio nas igrejas com a finalidade de transmitir os Ofícios Divinos.”
(Determinação do Concílio Episcopal de 1932. – Ibid.: p. 283)