.: Notícias
.: Links
.: Fórum
.: Teologia
.: Quem Somos
.: Apologética
.: Iconografia
.: Hagiografia
.: Fé Ortodoxa
Ortodoxia Brasil - Todos os direitos Reservados - ©2006 Ortodoxia Brasil

MODÉSTIA E VONTADE
Por Metropolita Filareto de Nova Iorque
Tradução de Leonardo Florentino
Nosso Senhor Jesus Cristo, instruindo Seus discípulos e apóstolos, imbuiu neles a necessidade de observar a pureza de coração e pensamento. Do coração e da mente procedem nossos impulsos pecaminosos: "Ao contrário, aquilo que sai da boca provém do coração, e é isso o que mancha o homem. Porque é do coração que provêm os maus pensamentos, os homicídios, os adultérios, as impurezas, os furtos, os falsos testemunhos, as calúnias." (Mat. 15:18-19)
O Salvador assim ensinou com estas palavras: "Ouvistes que foi dito aos antigos: Não cometerás adultério.Eu, porém, vos digo: todo aquele que lançar um olhar de cobiça para uma mulher, já adulterou com ela em seu coração." (Mat. 5: 27-28). Esta lei da natureza psico-política do homem é bem conhecida dos corruptores contemporâneos, que se esforçam conscientemente perverter nossa juventude. Nos lembramos como, na Rússia, aqueles que prepararam a Revolução, os comunistas, iniciaram o enfraquecimento espiritual de nossa nação imbuindo em nossa juventude a licenciosidade e a depravação. Certos grupos foram organizados para tanto, e espalharam a insatisfação pelas leis comuns de moralidade. Tal propagação da “moral livre” que nos rodeia é até maior, freqüentemente se espalhando até mesmo entre crianças em idade escolar.
Nos nossos dias, como nos tempos pré-revolucionários na Rússia, essa propagação tem a meta definida de corromper a sociedade contemporânea. É um método antigo. A história está repleta de exemplos de nações que pereceram pela difusão da depravação. O Senhor tornou em cinzas Sodoma e Gomorra. A Babilônia caiu. O Império Romano pereceu. O Ocidente livre poderia se submeter à mesma corrupção... O que vemos na vida que nos cerca? Indecência e devassidão no vestir; beijos e abraços desavergonhados nas ruas e lugares públicos; propagandas licenciosas, literatura pornográfica imunda... Toda essa corrupção e perversão inundam a vida numa imensa onda. Em verdade, não há menos devassidão agora, se não mais, do que nos tempos pagãos, quando os santos apóstolos e seus sucessores tinham de exortar os cristãos com um peculiar zelo na observância da modéstia.
A natureza do homem é tal que, nos pecados da carne, o papel ativo pertence ao sexo masculino, enquanto por outro lado a tentação vem das mulheres. Por isso as culturas cristãs em toda parte estabeleceram costumes que ajudaram a preservar bons costumes morais, bem como modestas vestimentas para as mulheres, para que a exposição das mesmas não invocasse pensamentos pecaminosos e inclinações tentadoras em ninguém. Quanto mais elevada a cultura espiritual, mais comedido era o modo de vestir das mulheres.
Moderação no vestir é nossa primeira linha de defesa. Ela deve guardar a pureza das mulheres e proteger o homem da tentação dos desejos pecaminosos. Ao mesmo tempo, a precisa evocação de tais sentimentos caracteriza a moda contemporânea.
O que era peculiar às mulheres perdidas que, para fazer o seu comércio, se vestiam de maneira provocante com o intuito de evocar a sensualidade nos homens, agora está se tornando a regra para jovens moças que geralmente não têm consciência do significado e das conseqüências de tal moda que as escraviza. Sabemos que a luta contra o pecado que nos rodeia por todos os lados não é fácil.
O caminho da salvação se faz estreito à medida que o mal e a apostasia se intensificam no mundo. Mas o mundo antigo pagão, que cercava aquele punhado de primeiros cristãos, não era menos corrupto. Esses últimos, no entanto, não cediam às tentações dos modos pagãos tal qual alguns hoje não cedem às tentações contemporâneas.
O Santo Apóstolo Paulo em sua epístola aos filipenses escreveu que eles brilhavam como luzes no seio de uma nação depravada e maliciosa (Fil. 2:15) Uma disposição espiritual elevada e uma vida irrepreensivelmente limpa e casta – estes eram os traços característicos dos cristãos filipenses, pelos quais o Apóstolo Paulo os louvou. Vivemos em tempos futuros; dezenove séculos nos separam daqueles dias em que o Apóstolo Paulo escreveu suas epístolas. Mas agora, assim como os cristãos dos primeiros séculos, estamos circundados por um ambiente cheio de licenciosidade e perversão. Que o elevado e santo exemplo dos antigos cristãos nos ensinem a ser também firmes na observância da leis morais cristãs e não cair as tentações que nos cercam.
O caráter e o valor moral da personalidade do homem depende na maior parte na direção e na força da vontade. É claro, todos entendem que para um cristão é necessário ter: primeiro, uma vontade forte e decisiva e segundo, uma vontade direcionada para o bem do seu próximo. Como alguém desenvolve uma vontade forte? A resposta é simples – acima de tudo através do exercício da própria vontade. Para tanto, assim como nos exercícios físicos, é necessário começar devagar, pouco a pouco. No entanto, tendo começado a exercitar sua vontade em qualquer coisa (i.e. na luta constante contra seus hábitos pecaminosos ou desejos) este trabalho jamais deve cessar. Mais ainda, um cristão que deseja fortalecer sua vontade, seu caráter, deve desde o começo evitar toda dissipação, desordem e inconsistência de comportamento. De outra maneira ele será uma pessoa sem caráter, indigno de confiança, um caniço agitado pelo vento, como lemos na Sagrada Escritura.
Disciplina é necessária para cada um de nós. Tem tal significância que sem ela a ordem e sucesso em nossas empreitadas é impossível. Na vida de cada indivíduo ela é de importância primordial, pois a autodisciplina intera agora toma lugar da disciplina externa, escolar ou militar. O homem deve se colocar em parâmetros definidos, tendo criado condições definidas e uma ordem de vida – não se afastando desse caminho.
Notemos isto também: os hábitos do homem são de grande significância no que concerne ao fortalecimento da vontade. Hábitos maus e pecaminosos são um grande obstáculo para uma vida moral cristã. Por outro lado, bons hábitos são aquisições valiosas para a alma e assim o homem deve educar-se no bem para que o que é bom se lhe torne habitual. Isto é especialmente importante nos seus primeiros anos, quando o caráter de um homem toma forma. Não é vão dizer que a segunda metade da vida terrena do homem se forma dos hábitos adquiridos na primeira metade.
Provavelmente ninguém argumentaria contra a necessidade de uma vontade forte. Na vida encontramos pessoas com vários graus de força de vontade. Às vezes acontece de uma pessoa bem aquinhoada, talentosa, com uma mente forte e um coração profundamente bom acabar por ter uma vontade fraca e não consegue por em prática os planos da sua vida, não importa o quão bons e valorosos eles possam ser. Por outro lado, uma pessoa menos talentosa que tem força de caráter e grande força de vontade geralmente obtém sucesso na vida.
O que é mais importante que a força de vontade é a sua direção: ela está agindo para o bem o para o mal? Uma pessoa bem intencionada mas de fraca vontade é de grande uso para a sociedade; uma pessoa de vontade forte que pende para o mal é muito perigosa. Daí fica claro como são importantes esses princípios, eles são os fundamentos básicos e regras pelos quais a vontade de um homem é guiada.
De que fonte pode a vontade de um homem haurir princípios apropriados para se guiar? Para um descrente uma resposta para tal pergunta é extremamente difícil e essencialmente impossível. Deveriam ser extraídos da ciência? Em primeiro lugar, a ciência se interessa primariamente por questões de conhecimento, não morais, e segundo, ela não é dotada de princípios sólidos pois está em constante mutação. Da filosofia? A filosofia ensina sobre a relatividade de suas verdades e não reclamam a autoridade incondicional das mesmas. Da vida prática? Menos ainda. Esta vida em si mesma necessita de princípios positivos que possam remover-lhe as inverdades. Mas enquanto a resposta à presente questão é tão difícil para descrentes, para um cristão que acredita a resposta é simples e clara. A fonte de bons princípios é a vontade de Deus, e ela se revela a nós nos ensinamentos do Salvador, em Sua Boa Nova. Ela sozinha tema autoridade incondicional nessa matéria; e ela sozinha nos ensina o autosacrifício, a liberdade cristã, a igualdade cristã e a irmandade (um conceito roubado por aqueles fora da fé). O Senhor mesmo falou dos verdadeiros cristãos, "Nem todo aquele que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos céus, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus." (Mat. 7:21).